A ideia não é assustar, é apenas prevenir. Vai preparar o kit de emergência recomendado pela União Europeia? Veja o que não pode faltar na mochila.
Ninguém gosta de pensar no pior. Mas se há coisa que os últimos anos nos ensinaram é a de que estar preparado pode fazer toda a diferença. E é por isso que a União Europeia tem lançado um apelo simples, mas importante: preparar um kit de emergência. Um conjunto de itens básicos para que cada pessoa consiga estar segura e minimamente confortável durante 72 horas, mesmo que falte luz, rede ou água.
A proposta insere-se na Estratégia de Preparação da União Europeia, um plano pensado para dar resposta aos desafios atuais e futuros. Entre as medidas mais práticas está precisamente a criação de kits de emergência, ajustados à realidade de cada país.
A mensagem da Comissão Europeia é clara: não se trata de criar medo, mas sim de promover uma cultura de prevenção. Como referiu Hadja Lahbib, comissária europeia responsável pela gestão de crises, o objetivo não é espalhar pânico, é evitar repetições de situações caóticas como as que se viveram no início da pandemia. Quem é que já se esqueceu da corrida ao papel higiénico?
Não há uma lista única, válida para todos. Cada país pode ajustar os itens conforme o clima, os riscos mais prováveis ou a realidade social. Ainda assim, há elementos comuns que quase todos os kits devem incluir:
Em Portugal, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) subscreveu todos os itens acima e recomendou ainda a inclusão de um apito e contactos de familiares e amigos.
Países como França, Suécia ou Noruega também acrescentaram outros detalhes como cobertores, chaves sobresselentes, iodo ou ferramentas básicas. Na Ucrânia, por exemplo, recomenda-se até carvão ativado e materiais para imobilização de membros em caso de ferimento.
Basicamente, é esse o tempo que se estima ser mais crítico numa situação de emergência. São as primeiras horas depois de um evento disruptivo - quando os serviços podem estar inoperacionais e a ajuda ainda a ser organizada - que exigem maior autonomia individual. Ter um kit preparado pode ser o que separa o caos da tranquilidade.
Mas, afinal, para que tipo de situações é que a Europa quer estar pronta? A resposta é: para quase tudo. Entre os principais cenários de risco identificados estão:
Estes riscos não são apenas teóricos, têm vindo a ganhar força. As alterações climáticas estão a tornar fenómenos extremos mais frequentes. A guerra na Ucrânia veio reacender receios sobre a estabilidade na região. E ataques híbridos, como ciberataques a hospitais ou interferências em redes energéticas, já não são só coisa do futuro.
Face a este novo cenário global, a UE quer garantir que, se algo acontecer, os cidadãos não sejam apanhados completamente desprevenidos.
Isto significa que vai mesmo acontecer algo grave? Não. E esse é o ponto: ter um plano não quer dizer que se esteja à espera de uma catástrofe iminente, significa apenas que, se algo acontecer, não se entra em pânico. Preparar é, mais do que nunca, uma forma de proteger.
O kit de emergência é apenas um dos passos. A UE quer criar uma cultura de preparação mais alargada com medidas que envolvem escolas, empresas e serviços públicos. Entre as ações propostas estão:
Tudo isto com um objetivo simples: garantir que, numa crise, a resposta seja rápida, coordenada e eficaz.
Nem todos veem esta proposta com os mesmos olhos. Uns dizem que assusta, outros que é puro bom senso. A verdade é que, num mundo em constante mudança, saber como agir quando as “sirenes tocam” pode, de facto, fazer toda a diferença.
Porque o futuro pode ser incerto, mas a prevenção… essa está nas mãos de cada um.
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