Se está a considerar esta opção, vale a pena conhecer todos os prós e contras antes de dar o primeiro passo.
Ter uma casa própria é um sonho para muita gente, mas o processo pode ser longo, caro e cheio de imprevistos. É por isso que as casas modulares têm despertado tanto interesse. Com a promessa de um processo mais rápido, menos dispendioso e até mais sustentável, parecem ser uma alternativa perfeita à construção tradicional.
Mas será que são mesmo? E, mais importante, será que são uma opção viável para todos? Neste artigo, vamos explorar como funcionam, o que é preciso para legalizá-las, as suas vantagens e, claro, as desvantagens.
Uma casa modular é, basicamente, uma habitação construída por partes (módulos) numa fábrica e transportada para o terreno onde será montada e finalizada. Diferente das casas pré-fabricadas mais simples, que podem ser levadas inteiras para o local, as casas modulares são formadas por várias secções que se encaixam como um “puzzle”. O objetivo é acelerar o processo de construção e, muitas vezes, reduzir custos.
O aspeto final? Pode variar. Existem opções modernas, minimalistas, rústicas e com mais do que um piso. Mas tenha em conta que, na maioria dos casos, os modelos já vêm pré-definidos pelas construtoras e há menos margem para personalização total.
Se há ideia errada sobre as casas modulares, é a de que não precisam de licenças. A verdade é que, do ponto de vista legal, são consideradas construções permanentes e, por isso, precisam de cumprir as mesmas regras que uma casa tradicional. Todas as casas devem ser licenciadas pela Câmara Municipal do município em questão.
Segundo o artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 555/99, qualquer construção fixa no solo é considerada uma edificação e precisa de licenciamento. As casas modulares não são exceção.
O processo passa por:
Se houver dúvidas sobre a legalidade do projeto, o ideal é consultar um especialista ou diretamente a Câmara Municipal antes de avançar.
Agora que já se percebeu como funcionam, vale a pena destacar alguns pontos positivos que explicam o interesse crescente por este tipo de construção.
Se o tempo é um fator crítico, as casas modulares levam uma grande vantagem. Enquanto uma construção tradicional pode demorar mais de um ano, uma casa modular pode estar pronta em três a seis meses. Como grande parte do trabalho é feito em fábrica, há menos imprevistos, como atrasos por mau tempo ou problemas com mão de obra.
Uma das grandes dores de cabeça das construções tradicionais é a derrapagem dos custos. Nas casas modulares, o preço costuma ser fixo depois de definidos os detalhes do projeto. Mas atenção: este valor pode não incluir a preparação do terreno e alguns acabamentos.
Muitas casas modulares são construídas com materiais recicláveis e isolamentos eficientes, tornando-as uma escolha amiga do ambiente. Neste tipo de construção é também possível integrar painéis solares e outras soluções para reduzir o consumo energético.
Uma casa modular pode crescer conforme as necessidades da família. Se for necessário mais espaço no futuro, pode-se adicionar novos módulos sem ter de refazer toda a estrutura.
Parece uma solução perfeita? Talvez. Mas, como em qualquer escolha, há sempre um outro lado da moeda. Vamos falar dos desafios que podem tornar a decisão mais complicada do que parece à primeira vista.
Se há algo que pode travar o sonho de uma casa modular, é o financiamento. Muitos bancos ainda são reticentes em conceder crédito para este tipo de construção e, quando o fazem, as condições são pouco atrativas. O prazo de pagamento costuma ser mais curto e as taxas de juro mais elevadas do que para uma casa tradicional. Para quem precisa de recorrer a financiamento bancário, esta pode ser uma grande barreira.
Outro ponto crítico é o modelo de pagamento. Ao contrário da construção tradicional, onde o financiamento vai sendo libertado em fases, as casas modulares exigem pagamentos adiantados (e, em alguns casos, na totalidade antes da entrega). Isto significa que, para quem não tem um grande capital disponível, pode ser difícil avançar.
Apesar de existirem vários modelos à escolha, as casas modulares não oferecem a mesma liberdade de personalização de uma construção tradicional. A maioria das empresas tem catálogos fechados e, embora seja possível escolher alguns acabamentos, dificilmente se conseguirá um projeto totalmente à medida.
Embora o mercado das casas modulares esteja a crescer, ainda existe algum preconceito em relação a este tipo de habitação, o que pode dificultar a revenda no futuro, especialmente junto de compradores mais tradicionais.
Embora as casas modulares sejam muitas vezes apresentadas como uma alternativa mais acessível, o custo total pode variar bastante. A juntar ao preço base da casa, há outros fatores a ter em conta:
Se a grande dificuldade das casas modulares é o financiamento, existem outras soluções que podem ser mais viáveis para quem precisa de recorrer ao crédito habitação:
A pergunta do jackpot. A resposta depende, claro, das circunstâncias de cada pessoa. Para quem tem capital próprio e procura uma solução rápida e sustentável, uma casa modular é uma excelente escolha. Mas para quem precisa de recorrer a crédito habitação, o processo pode tornar-se complicado.
Seja qual for a decisão, o mais importante é avaliar bem todas as variáveis antes de avançar: verificar o licenciamento do terreno, comparar os custos reais (incluindo preparação do solo e acabamentos) e garantir que o financiamento está alinhado com as possibilidades financeiras.
Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.
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