finanças

Casas modulares: serão mesmo uma alternativa promissora?

02 abr 2025 | 4 min de leitura

Se está a considerar esta opção, vale a pena conhecer todos os prós e contras antes de dar o primeiro passo.

Ter uma casa própria é um sonho para muita gente, mas o processo pode ser longo, caro e cheio de imprevistos. É por isso que as casas modulares têm despertado tanto interesse. Com a promessa de um processo mais rápido, menos dispendioso e até mais sustentável, parecem ser uma alternativa perfeita à construção tradicional.

 

Mas será que são mesmo? E, mais importante, será que são uma opção viável para todos? Neste artigo, vamos explorar como funcionam, o que é preciso para legalizá-las, as suas vantagens e, claro, as desvantagens.

 

 

O que são casas modulares?

Uma casa modular é, basicamente, uma habitação construída por partes (módulos) numa fábrica e transportada para o terreno onde será montada e finalizada. Diferente das casas pré-fabricadas mais simples, que podem ser levadas inteiras para o local, as casas modulares são formadas por várias secções que se encaixam como um “puzzle”. O objetivo é acelerar o processo de construção e, muitas vezes, reduzir custos.

 

O aspeto final? Pode variar. Existem opções modernas, minimalistas, rústicas e com mais do que um piso. Mas tenha em conta que, na maioria dos casos, os modelos já vêm pré-definidos pelas construtoras e há menos margem para personalização total.

 

 

Licenciamento e legislação: o que é preciso?

Se há ideia errada sobre as casas modulares, é a de que não precisam de licenças. A verdade é que, do ponto de vista legal, são consideradas construções permanentes e, por isso, precisam de cumprir as mesmas regras que uma casa tradicional. Todas as casas devem ser licenciadas pela Câmara Municipal do município em questão.

 

Segundo o artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 555/99, qualquer construção fixa no solo é considerada uma edificação e precisa de licenciamento. As casas modulares não são exceção.

O processo passa por:

 

  • Verificar o Plano Diretor Municipal (PDM). Nem todos os terrenos permitem este tipo de construção, por isso é fundamental confirmar as regras urbanísticas da área
  • Submeter um projeto de arquitetura. Tal como numa construção tradicional, é necessário apresentar um projeto à Câmara Municipal para aprovação
  • Obter a licença de construção. Antes de começar a obra, é preciso garantir que tudo está legalmente autorizado
  • Pedir a licença de utilização. No fim da construção, a casa passa por uma vistoria para confirmar que está dentro das normas antes de poder ser habitada
  • Pagar IMI. Tal como qualquer outra habitação, uma casa modular também paga Imposto Municipal sobre Imóveis.

 

Se houver dúvidas sobre a legalidade do projeto, o ideal é consultar um especialista ou diretamente a Câmara Municipal antes de avançar.

 

 

Vantagens das casas modulares

Agora que já se percebeu como funcionam, vale a pena destacar alguns pontos positivos que explicam o interesse crescente por este tipo de construção.

 

Construção rápida

Se o tempo é um fator crítico, as casas modulares levam uma grande vantagem. Enquanto uma construção tradicional pode demorar mais de um ano, uma casa modular pode estar pronta em três a seis meses. Como grande parte do trabalho é feito em fábrica, há menos imprevistos, como atrasos por mau tempo ou problemas com mão de obra.

 

Preço controlado (na maioria dos casos)

Uma das grandes dores de cabeça das construções tradicionais é a derrapagem dos custos. Nas casas modulares, o preço costuma ser fixo depois de definidos os detalhes do projeto. Mas atenção: este valor pode não incluir a preparação do terreno e alguns acabamentos.

 

Eficiência energética e sustentabilidade

Muitas casas modulares são construídas com materiais recicláveis e isolamentos eficientes, tornando-as uma escolha amiga do ambiente. Neste tipo de construção é também possível integrar painéis solares e outras soluções para reduzir o consumo energético.

 

Possibilidade de expansão

Uma casa modular pode crescer conforme as necessidades da família. Se for necessário mais espaço no futuro, pode-se adicionar novos módulos sem ter de refazer toda a estrutura.

 

 

Desvantagens das casas modulares

Parece uma solução perfeita? Talvez. Mas, como em qualquer escolha, há sempre um outro lado da moeda. Vamos falar dos desafios que podem tornar a decisão mais complicada do que parece à primeira vista.

 

O grande entrave: o crédito habitação

Se há algo que pode travar o sonho de uma casa modular, é o financiamento. Muitos bancos ainda são reticentes em conceder crédito para este tipo de construção e, quando o fazem, as condições são pouco atrativas. O prazo de pagamento costuma ser mais curto e as taxas de juro mais elevadas do que para uma casa tradicional. Para quem precisa de recorrer a financiamento bancário, esta pode ser uma grande barreira.

 

Pagamento adiantado

Outro ponto crítico é o modelo de pagamento. Ao contrário da construção tradicional, onde o financiamento vai sendo libertado em fases, as casas modulares exigem pagamentos adiantados (e, em alguns casos, na totalidade antes da entrega). Isto significa que, para quem não tem um grande capital disponível, pode ser difícil avançar.

 

Personalização limitada

Apesar de existirem vários modelos à escolha, as casas modulares não oferecem a mesma liberdade de personalização de uma construção tradicional. A maioria das empresas tem catálogos fechados e, embora seja possível escolher alguns acabamentos, dificilmente se conseguirá um projeto totalmente à medida.

 

Possíveis dificuldades na revenda

Embora o mercado das casas modulares esteja a crescer, ainda existe algum preconceito em relação a este tipo de habitação, o que pode dificultar a revenda no futuro, especialmente junto de compradores mais tradicionais.

 

 

Custos reais de uma casa modular: o que considerar?

Embora as casas modulares sejam muitas vezes apresentadas como uma alternativa mais acessível, o custo total pode variar bastante. A juntar ao preço base da casa, há outros fatores a ter em conta:

 

  • Terreno: o preço depende da localização, podendo ir de algumas dezenas a milhares de euros por metro quadrado
  • Preparação do terreno: nivelamento, drenagem e fundações podem aumentar significativamente os custos
  • Licenciamento e projetos: o processo de licenciamento envolve a obtenção de várias licenças e certificados, cujo custo pode variar entre 2.500 e 4.000 euros, dependendo da localização do imóvel. Adicionalmente, os projetos de arquitetura e especialidades podem custar, em média, 6.000 e 3.000 euros, respetivamente
  • Construção da casa: o custo médio situa-se nos 850 euros por metro quadrado, ou seja, uma casa T2 de 100m² pode custar cerca de 85.000 euros
  • Custos adicionais: ligações a redes públicas, arranjos exteriores e possíveis taxas municipais devem ser considerados
  • E, novamente, a dificuldade mais elevada no que diz respeito ao financiamento.

 

 

Outras alternativas com acesso facilitado ao crédito habitação

Se a grande dificuldade das casas modulares é o financiamento, existem outras soluções que podem ser mais viáveis para quem precisa de recorrer ao crédito habitação:

 

  • Casas tradicionais de construção convencional. Apesar de demorarem mais tempo a construir, têm acesso a melhores condições de financiamento e maior valorização no mercado
  • Casas em segunda mão para remodelação. Comprar uma casa usada e fazer obras pode ser uma alternativa mais acessível, já que existe uma oferta maior de crédito para este tipo de aquisição.
  • Construção em alvenaria com métodos modernos. Algumas construtoras já utilizam sistemas de construção rápida e sustentável em alvenaria, mantendo a facilidade de acesso ao crédito.

 

 

As casas modulares valem a pena?

A pergunta do jackpot. A resposta depende, claro, das circunstâncias de cada pessoa. Para quem tem capital próprio e procura uma solução rápida e sustentável, uma casa modular é uma excelente escolha. Mas para quem precisa de recorrer a crédito habitação, o processo pode tornar-se complicado.

 

Seja qual for a decisão, o mais importante é avaliar bem todas as variáveis antes de avançar: verificar o licenciamento do terreno, comparar os custos reais (incluindo preparação do solo e acabamentos) e garantir que o financiamento está alinhado com as possibilidades financeiras.

 

 

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

O que achou deste artigo?

Queremos continuar a trazer-lhe conteúdos úteis. Diga-nos o que mais gostou.

Agradecemos a sua opinião!

A sua opinião importa. Ajude-nos a melhorar este artigo do Salto.

Salto Santander

Agradecemos o seu contributo!

Nova taxa fixa e novo spread

Para empréstimos pedidos só até 30/06.

Informação de tratamento de dados

O Banco Santander Totta, S.A. é o responsável pelo tratamento dos dados pessoais recolhidos.

O Banco pode ser contactado na Rua da Mesquita, 6, Centro Totta, 1070-238 Lisboa.

O Encarregado de Proteção de Dados do Banco poderá ser contactado na referida morada e através do seguinte endereço de correio eletrónico: privacidade@santander.pt.

Os dados pessoais recolhidos neste fluxo destinam-se a ser tratados para a finalidade envio de comunicações comerciais e/ou informativas pelo Santander.

O fundamento jurídico deste tratamento assenta no consentimento.

Os dados pessoais serão conservados durante 5 anos, ou por prazo mais alargado, se tal for exigido por lei ou regulamento ou se a conservação for necessária para acautelar o exercício de direitos, designadamente em sede de eventuais processos judiciais, sendo posteriormente eliminados.

Assiste, ao titular dos dados pessoais, os direitos previstos no Regulamento Geral de Proteção de Dados, nomeadamente o direito de solicitar ao Banco o acesso aos dados pessoais transmitidos e que lhe digam respeito, à sua retificação e, nos casos em que a lei o permita, o direito de se opor ao tratamento, à limitação do tratamento e ao seu apagamento, direitos estes que podem ser exercidos junto do responsável pelo tratamento para os contactos indicados em cima. O titular dos dados goza ainda do direito de retirar o consentimento prestado, sem que tal comprometa a licitude dos tratamentos efetuados até então.

Ao titular dos dados assiste ainda o direito de apresentar reclamações relacionadas com o incumprimento destas obrigações à Comissão Nacional da Proteção de Dados, por correio postal, para a morada Av. D. Carlos I, 134 - 1.º, 1200-651 Lisboa, ou, por correio eletrónico, para geral@cnpd.pt (mais informações em https://www.cnpd.pt/).

Para mais informação pode consultar a nossa política de privacidade (https://www.santander.pt/politica-privacidade).